1° Edição

EDITORIAL

Olá,

Em sua primeira edição, a revista A Química em Tudo inicia a sua jornada com o tema radioatividade, e você é o nosso convidado. Aperte os cintos, pois viajaremos 121 anos no passado, quando os primeiros fenômenos radioativos começaram a ser descobertos. Aqui você vai acompanhar a trajetória de uma das mais importantes cientistas desse campo, conhecer os lugares onde os maiores acidentes nucleares aconteceram e até mesmo andar por entre túmulos que brilham no escuro.

Mas não se engane! Sua participação nesta edição não se limitará em apenas observar. Hoje, você fará parte de um júri. Veja bem, a radioatividade está no banco dos réus. Existe a defesa, que estará a favor de sua causa, alegando que a radioatividade nos presenteou com significativas contribuições, no campo da produção de energia e de procedimentos e equipamentos médicos, como raio-x, tomografia computadorizada e radioterapia. Mas a acusação tampouco ficará para trás. Manchetes de jornal estarão em todo tribunal, nos lembrando de vários acidentes nucleares, como os Chernobyl e Fukushima, cujos efeitos se manifestam ainda hoje.

Entretanto, não pense que a missão é fácil! Conforme você for tendo contato com as matérias, vídeos e quizzes desta edição, perceberá que a tarefa de escolher um lado é difícil e que a melhor solução é ter prudência na administração dos elementos radioativos, para reduzir ao máximo os riscos e continuarmos nos beneficiando dos resultados positivos de suas aplicações.

Boa leitura!

 

SEÇÃO: TÁ ROLANDO

Tic-tac, tic-tac, tic-tac…

O Relógio do Apocalipse se aproxima cada vez mais da meia-noite.

 

Desde sua introdução, em 1947, o Relógio do Apocalipse (Doomsday Clock, no original inglês) vem sendo mantido pelo comitê de diretores do Bulletin of the Atomic Scientists (Boletim dos Cientistas Atômicos, em tradução livre) da Universidade de Chicago. O dispositivo simbólico faz uso de uma analogia, na qual a raça humana está a “minutos para a meia-noite”, onde a meia-noite representa a devastação por uma guerra nuclear. Esse número de minutos para a meia-noite é atualizado periodicamente, considerando o nível nuclear, o aparelhamento e tecnologias envolvidas. Este ano, o relógio avançou mais uma vez, indicando que faltam apenas dois minutos e meio para a meia-noite. E quem seriam os grandes protagonistas do fim do mundo? Para quem anda de olho nas notícias, isso não é complicado de adivinhar. Podem entrar (metaforicamente falando), Estados Unidos e Coreia do Norte.

O debate sobre uma nova guerra começou a se tornar mais intenso principalmente depois que o presidente da China, Xi Jinping, visitou Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. O encontro ocorreu no dia 06 de abril deste ano, quando Trump propôs à China que esta fizesse a Coreia do Norte encerrar seu programa nuclear, deixando claro que, se o governo chinês não interviesse,  os EUA “resolveriam” isso.

E para mostrar que não estava brincando, poucos dias depois, os EUA deslocaram navios de guerra para a Península da Coreia e jogaram a chamada “mãe de todas as bombas” no Afeganistão. Esta era  considerada a maior bomba não-nuclear do mundo (até a Rússia se gabar sobre ter o “pai de todas as bombas”, supostamente, 4 vezes mais poderosa) e foi lançada em uma área onde haviam vários túneis e cavernas usadas pelo grupo extremista Estado Islâmico. No entanto, muito mais do que um ataque ao Estado Islâmico, acredita-se que essa foi uma forma de intimidar a Coreia do Norte.

Além disso, os norte-coreanos jogaram alguns mísseis no mar do Japão e, obviamente, os japoneses não aprovaram isso. Presume-se que o míssil caiu ali porque os norte-coreanos estão desenvolvendo um míssil que tenha a habilidade de atravessar o Oceano Pacífico. E quem está do outro lado? Acertou, os EUA.

Este foi o resumo da primeira metade do ano.

O segundo semestre mal começou e está ainda mais intenso, com ameaças sendo disparadas dos dois lados e medidas rígidas sendo tomadas. Enquanto a China manobra para evitar o choque entre Coreia do Norte e EUA, já que o descontrole da Coreia do Norte põe em risco o Gigante Asiático, os EUA afirmam possuir uma solução militar e vetam viagens para a Coreia do Norte, em reação à morte de Otto Warmbier, um norte-americano de 22 anos que faleceu no isolado país asiático após entrar em coma durante sua prisão. A Coreia do Norte, por sua vez, lançou novamente um míssil intercontinental em águas japonesas e está com mira apontada para Guam, um território norte-americano que abriga uma importante base militar.

Mas como foi que toda essa rivalidade começou?

Na realidade, os EUA e a Coreia do Norte nunca se deram bem, pois o EUA apoia a Coreia do Sul. Então, já que os norte-coreanos detestam os sul-coreanos, eles automaticamente detestam os EUA e todos os seus aliados. Mas, apesar da rivalidade ser antiga, recentemente a situação piorou. Isso porque, além de os norte-coreanos frequentemente realizarem testes com mísseis, eles também estão testando armas nucleares. Para você ter uma ideia do que isso significa, uma bomba nuclear é mais ou menos isso aqui:

Embora existam outros países com armas nucleares, como China, Paquistão, Índia, França, Reino Unido e o próprio EUA, os holofotes estão sobre a Coreia do Norte justamente pelo grande número de testes que o país vem fazendo. O problema é que não se sabe se os norte-coreanos irão efetivamente utilizar seu armamento para iniciar uma guerra. Isso porque a Coreia do Norte é um dos países mais isolados do mundo, que só se posiciona publicamente em raras ocasiões, não dando muita satisfação à comunidade internacional, gerando um clima de insegurança.

Mas por que a Coreia do Norte age assim?

No final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a Coreia foi dividida em duas: a Coreia do Norte, que era ocupada pelos soviéticos, e a Coreia do Sul, controlada pelos americanos. Em 1948, cada uma criou seu próprio governo e começou a falar que era a verdadeira Coreia. Em 1950, a Coreia do Norte invadiu a Coreia do Sul e então começou a guerra da Coreia. Esse foi o primeiro grande conflito da guerra fria, com duração de três anos.

Por que eles ainda guardam rancor se a guerra aconteceu há mais de 60 anos?

Na realidade, a guerra da Coreia nunca acabou. O que aconteceu foi um armistício, que é como um cessar fogo. Só que a paz entre os dois países nunca foi oficialmente declarada, então, tecnicamente, eles ainda estão em guerra. Por isso que a fronteira entre as duas Coreias é uma das mais militarizadas do mundo. Além disso, ainda há milhares de soldados americanos do lado sul-coreano, patrulhando aquela área. E isso está bem longe de ser resolvido porque, quando se trata de política internacional, a Coreia do Norte não curte muito socializar.

Há quase 70 anos, a Coreia do Norte é liderada pela mesma família, que controla o país junto com os militares. Além disso, tem um relacionamento antigo com a China, já que os chineses, desde a Guerra da Coreia, vem apoiando os norte-coreanos tanto política quanto economicamente. Mas por que isso acontece? Bem, existem duas razões para isso. A primeira é que os chineses estão convictos de que se o governo da Coreia do Norte desmoronar, milhões de norte-coreanos vão migrar para a China, que já é o país mais populoso do mundo. A segunda razão é geográfica: a Coreia do Norte separa a China da Coreia do Sul, mantendo os soldados americanos longe do território chinês.

Apesar disso, a China sabe que, ocasionalmente, a Coreia do Norte passa dos limites (os chineses já haviam condenado perante à ONU o teste com mísseis que a Coreia do Norte fez no início do ano). No entanto, a China só pode conter as ações dos norte-coreanos até certo ponto. O objetivo da Coreia do Norte não é apenas se proteger de um ataque dos EUA, mas também manter o modelo de regime autoritário familiar.

E quais são as chances reais de uma guerra nuclear acontecer?

Segundo o secretário de Estado Rex Tillerson, as possibilidades de uma guerra são muito distantes. No entanto, o Secretário de Defesa dos EUA Jim Mattis afirmou que, se a Coréia do Norte disparar contra os norte-americanos, a situação “pode escalar para uma guerra muito rapidamente”. O nos resta fazer é torcer para que nada disso aconteça, pois uma guerra não afeta apenas os países diretamente envolvidos e, afinal, há milhões de vidas em jogo. 

El País Internacional: http://brasil.elpais.com/tag/corea_del_norte/a/

Relógio do Apocalipse: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38762013

 

TÁ NA CAPA: OS MAIORES ACIDENTES NUCLEARES DA HISTÓRIA

Chernobyl

O reator número 4 da usina de Chernobyl, explodiu durante um teste corriqueiro de segurança, ocasionando uma das maiores catástrofes nucleares da História. Durante 3 dias, a cidade virou um verdadeiro caos: grandes caminhões do exército para todo lado e o som da ambulância se tornando cada vez mais comum para os habitantes. Após 40 anos do desastre, a cidade permanece fechada, apenas cercada por prédios silenciosos e animais selvagens que ocuparam todo o local. O número de mortos passa de 25 mil pessoas, aumentando cada vez mais devido aos casos de câncer provocados pelo contato com a radiação.

Fukushima

Um terremoto atingiu a cidade de Fukushima, no Japão, no dia 11 de março de 2011. Classificado com magnitude 9 na escala Richter, uma de suas maiores consequências foi a explosão de três dos seis reatores da usina, deixando escapar radiações de níveis prejudiciais.  Toda a cidade foi evacuada e hoje Fukushima é habitada apenas por aqueles que não conseguiram deixar seu lar e uma usina que permanece constantemente vigiada.

 

Ilha Three Mile

Uma simples ação errada realmente pode estragar tudo. Esse foi o caso da Ilha Three Miles, onde uma falha humana impediu o resfriamento de um reator, fazendo com que os resíduos radioativos provocassem uma enorme radiação no interior do recinto destruindo cerca de 75% do núcleo do reator. Aproximadamente 140 pessoas foram obrigadas a saírem de suas casas.

Mayak

Mayak foi uma das maiores instalações nucleares da Federação Russa,  localizada entre as cidades de Kasli e Cheliabinsk. Sua magnitude só pode ser comparada ao tamanho da sua nuvem nuclear, que foi liberada após uma explosão dentro da usina de força correspondente a 75 toneladas de TNT. Instantaneamente, foram provocadas 200 mortes. Mesmo após 60 anos, o número continua aumentando devido às doenças provocadas pela radiação.

FONTE:https://www.theguardian.com/news/datablog/2011/mar/14/nuclear-power-plant-accidents-list-rank

 

TÁ NA CAPA: ACIDENTE COM O CÉSIO-137

VÍDEO: https://www.youtube.com/watch?v=pH-8NRIQFMw

O caso mais famoso de radiação envolvendo o Brasil aconteceu em Goiânia, em setembro de 1987, e é considerado o maior acidente radiológico do mundo. Um catador de sucata realizou o recolhimento de um equipamento radioterapêutico abandonado, onde funcionava o Instituto Goiano de Radioterapia,  e, ao desmontá-lo, observou uma fonte luminosa, que logo chamou sua atenção. A fonte era nada mais nada menos do que o Césio-137, que foi objeto de desejo de toda a vizinhança, passando pelas mãos de muitas pessoas. O resultado da curiosidade levou ao envolvimento direto e indireto de centenas de indivíduos.

Aqueles expostos ao Césio-137, de acordo com os protocolos da Agência Internacional de Energia (IAEA), têm a saúde acompanhada pelo C.A.R.A. (Centro de Assistência ao Radioacidentado), que atualmente fornece assistência a 1206 pessoas, segundo a forma de contato (contaminação ou irradiação), se a mesma foi direta ou indireta e dose de exposição. Por isso, esses indivíduos estão separados em três grupos, contando com seus descendentes.

Qual a situação atual das vítimas do Césio-137 e de seus descendentes? (diagramação em boxes)

Não foram sugeridas anormalidades no comportamento dos linfócitos (um tipo de célula de defesa do organismo) quanto à produção de anticorpos, estando dentro dos valores de normalidade.

As doenças cardiovasculares diagnosticadas apresentaram incidência similar àquela observada na população em geral, sendo a hipertensão arterial a mais comum. Outras doenças observadas foram diabetes, infecções das vias aéreas superiores, osteoporose, alergias, gastrites e sintomas sem diagnóstico de doença como dores, cefaléia, fraqueza. Houve também 22 casos de radioneurites (inflamação de um nervo e de suas ramificações provocada pelo rádio).

Em 2011, foi realizado um estudo para rastrear sintomas depressivos e avaliar a qualidade de vida dos radioexpostos. Foi verificado que os indivíduos sofrem com a persistência de problemas psicossociais. Os resultados mostraram que a exposição à radiação constitui-se um fator de risco para transtornos psiquiátricos, apontando presença expressiva de sintomas depressivos em 42,5% dos sujeitos da amostra, muito acima da prevalência esperada para a população em geral (3 a 11%). A prevalência é maior nos indivíduos com mais de 41 anos e, em menor intensidade, nos indivíduos expostos a uma maior dose de radiação e nas mulheres.

A ocorrência de cárie, de doenças periodontais e de maloclusão (quando os dentes não se encaixam corretamente uns com os outros, ou quando estão dispostos nos ossos maxilares, prejudicando a estética facial) são os achados mais comuns à maioria dos indivíduos monitorados.

Tanto o acompanhamento do crescimento durante a infância e adolescência dos descendentes dos indivíduos diretamente afetados pelo acidente quanto a avaliação da função tireoideana dos grupos com exposição direta ao césio radioativo, apresentaram-se dentro dos padrões de normalidade observados na população geral brasileira.

Entre os anos de 1987-2014, ocorreram 10 óbitos. A maior prevalência dos óbitos foi  entre os homens (70%). A causa básica teve as seguintes prevalências: causas externas, sepses (complicação potencialmente fatal de uma infecção), neoplasias (tumor) e doença do aparelho circulatório.

Como o C.A.RA. trabalha hoje em dia auxiliando as vítimas do acidente?

Atualmente, no C.A.RA., a assistência à saúde abrange clínicas médicas, odontologia, psicologia, enfermagem, assistência social e farmacêutica. Caso haja necessidade de atendimento especializado, os indivíduos são encaminhados aos profissionais do serviço de assistência suplementar, Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado de Goiás / IPASGO, do qual possuem totalidade nas consultas, exames e internações, sem ônus. É garantido o transporte aos locais de assistência. Alguns indivíduos foram ainda beneficiados por pensão especial vitalícia prevista por lei estadual e/ou federal.

Qual é o legado que o acidente radiológico  deixou para o Brasil?

Como Unidade Ambulatorial Multidisciplinar de Saúde do Estado de Goiás, o C.A.RA. qualificou seus profissionais de saúde pública para prestar atendimento generalizado aos pacientes radioacidentados, seguindo protocolo criado após o acidente de 1987.

O Governo Federal editou legislação específica de proteção à população, criando instrumentos de regulação e segurança radiológica.

Ao longo de nossa história, enfrentamos uma série de acidentes radioativos, tais como Chernobyl e Fukushima. Nesses lugares, estudos realizados apontam uma maior incidência de câncer e má formação fetal. Em suas pesquisas, você observou tais ocorrências nos habitantes da área do acidente? Outras doenças foram agravadas pela contaminação?

Os estudos relacionados ao monitoramento da reprodução revelaram a inexistência de casos de abortamento espontâneo ou malformações congênitas nas gestações em curso, durante ou imediatamente após o acidente. Sobre o possível risco genético para a carcinogênese, ao longo dos anos foi observado a diminuição das frequências de mutação, um pequeno risco de carcinogênese e um risco irrelevante para a geração de filhos.

Além disso, em 2001, o estudo “Câncer em Goiânia: análise da incidência e da mortalidade no período de 1988 a 1997” concluiu que houve tendência de aumento significativo na mortalidade masculina por câncer de próstata e de encéfalo e decréscimo significativo na mortalidade por câncer de brônquios e pulmão, também masculina. Em relação ao sexo feminino, foram decrescentes os coeficientes de mortalidade por câncer de estômago, colo de útero e gânglios linfáticos. No recente estudo “Avaliação da Radiação Ionizante como Fator de Risco para a Incidência de Câncer de Mama em Goiânia-GO”, é reforçada a hipótese de que os níveis de radiação ionizante, aos quais as mulheres residentes em Goiânia estão expostas, não estão associados ao surgimento de casos novos de câncer de mama.

CONSULTORIA: André Luiz de Souza, Diretor Geral do C.A.R.A.

 

TÁ NA CAPA: Crianças de Chernobyl: a instituição que salva vidas

 

É janeiro de 1991 e Adi Roche, uma voluntária em um grupo de desarmamento nuclear, recebe uma mensagem urgente. Trata-se de um apelo feito pelos médicos russos para retirar as crianças da área radioativa de Chernobyl, buscando um modo para que essas pequenas vítimas tenham chance de sobreviver. SOS: “Pelo amor de Deus, nos ajudem a tirar as crianças daqui.” A receptora da mensagem jamais esqueceu aquele dia. Juntando todas as suas forças, Adi começou um pequeno escritório no quarto de sua casa para auxiliar as vítimas do acidente nuclear, com o objetivo de trazer as crianças numa espécie de férias para que recebessem todos os cuidados que necessitavam.

Adi sabia que o mundo havia virado as costas para Chernobyl. O acidente nuclear, ocorrido em 26 de abril de 1986, foi para muitos apenas uma matéria de capa de jornal, mas Adi entendia que Chernobyl não poderia ser considerada parte do passado porque as futuras gerações também seriam afetadas pelos efeitos da intensa radiação, pelo desalojamento em massa, pela pobreza e falta de tratamentos médicos.

Assim, em 1991, cinco anos após o desastre, o Projeto Internacional Crianças de Chernobyl foi formalmente fundado na Irlanda e, devido ao seu sucesso, se expandiu para os Estados Unidos, em 2001. Os programas oferecidos pelo projeto buscam: desinstitucionalizar as crianças dos orfanatos e garantir seus direitos a uma vida em família; promover o descanso e recuperação em um ambiente agradável com o apoio de famílias anfitriãs, que acolhem as crianças temporariamente; custear a construção e reconstrução de instituições vitais, como centros de tratamento e unidades habitacionais, e garantir tratamentos médicos de qualidade às crianças afetadas.

Crianças de Chernobyl em números:

Ao longo dos anos, estima-se que:

  • 100 milhões de euros foram arrecadados direta e indiretamente pela ajuda humanitária para a região de Chernobyl.
  • 6 mil crianças nascem anualmente na Ucrânia com defeitos congênitos no coração.
  • 25 mil crianças foram trazidas de zonas de radiação para casas na Irlanda.

Em 2004, o documentário estadunidense Chernobyl Heart (Coração de Chernobyl, em tradução livre) dirigido e escrito por Maryann DeLeo, venceu o Oscar de melhor documentário de curta-metragem daquela edição. O filme de 2003 mostra a situação das crianças nascidas com problemas cardíacos após o acidente nuclear.

Fonte: http://www.chernobyl-international.com/cci-achievements/


TÁ COM ELES: MARIE CURIE

 

 

PERFIL MARIE CURIE

 

Marie Skłodowska Curie

Nascimento: Varsóvia, 7 de novembro de 1867

Falecimento: Alpes Franceses, 4 de julho de 1934

Física e Radioquímica

Prêmio Nobel de Física em 1903

Prêmio Nobel de Química  em 1911

 

Correr atrás de nossos sonhos não costuma ser fácil. Dependendo do tamanho e do esforço investido para concretizá-los, podem se passar anos até que sejamos recompensados. Se fazer isso hoje já é difícil, mesmo com todo o avanço tecnológico, desenvolvimento social e enriquecimento cultural, imagina ser mulher, estrangeira e estar passando por dificuldades financeiras na França do século XIX? Complicado, não é? Por sorte, Marie Curie conseguiu realizar seu sonho e fazer um tanto mais pela humanidade.

 

A Marya que fez a diferença

Nascida Marya Skłodowska, quinta e mais nova filha de um casal de professores, a cientista polonesa creditada pela descoberta do Rádio e do Polônio teve uma infância cheia de momentos de tensão e tristeza.  Naquela época, a Rússia e a Alemanha tinham dividido a Polônia entre si e estavam tentando destruir todos os vestígios de nacionalismo e cultura poloneses. Além disso, aos 11 anos, Marya já tinha que lidar com o falecimento da mãe e da irmã mais velha, que resultaram na descrença da menina perante a existência de Deus.

Na escola, Marya estudava sob uma atmosfera de intimidação e opressão política. Por conta da ocupação do ensino polonês pelos russos, o pai de Marya vivia pulando de um emprego para outro e a família se mudava para apartamentos cada vez menores. Apesar dos problemas, Marya era a aluna mais brilhante da classe.

 

O  surgimento de Marie

A grafia Marie foi adotada quando Marya foi estudar na França, em 1891. Sua matrícula na Universidade de Paris, no dia 5 de novembro daquele ano, só foi possível graças ao acordo que Marie fez com sua irmã Bronya: Marie ajudaria a sustentar Bronya em seus estudos de medicina em Paris, já que o governo russo proibia as mulheres de enfrentar qualquer universidade dentro do Império, e depois seria a vez de Bronya retribuir o favor. Mesmo estando há 8 anos apenas estudando por conta própria, Marie terminou seus estudos em física e ciências matemáticas como a primeira da turma, enquanto morava em um sótão e sobrevivia a base de pão, ovos e, eventualmente, frutas e chocolate quente.

Prêmios Nobel

Nobel de Física em 1903: A descoberta da radioatividade, em 1896, por Henri Becquerel inspirou Marie e Pierre Curie, seu marido, a investigar mais profundamente esse fenômeno. Eles examinaram várias substâncias e minérios à procura de sinais de radioatividade e descobriram que dois minérios do urânio – a uraninita e a chalcolita – eram três ou quatro vezes mais radioativos do que se poderia prever a partir da quantidade de urânio e tório que continham, concluindo que esses minérios deveriam conter outras substâncias radioativas. A partir deles, Marie e Pierre conseguiram extrair dois elementos desconhecidos anteriormente, o Polônio e o Rádio, os dois mais radioativos do que o urânio.

Nobel de Química em 1906: Depois de Marie e Pierre descobrirem os elementos radioativos Polônio e Rádio, Marie continuou a investigar suas propriedades. Em 1910, após uma crise científica desencadeada quatro anos antes por Lord William Thomson Kelvin ao anunciar, incorretamente, que o Rádio não era um elemento,  ela conseguiu produzir com sucesso alguns grãos de Rádio puro, provando que o novo elemento existia sem dúvida alguma. Marie também documentou as propriedades de elementos radioativos e seus compostos, que se tornaram importantes fontes de radiação tanto para o campo de experimentos científicos quanto para o campo da medicina, onde eles são usados para o tratamento de tumores.

O amor é uma ciência exata

Para ajudar Bronya a se sustentar em Paris, Marie trabalhou como governanta da família dos Żorawskis por anos. Durante esse período, ela conheceu e se apaixonou por  Kazimierz, o filho mais velho dos Żorawskis que, além de bonito e elegante, também estudava matemática na Universidade de Varsóvia. O romance não foi para a frente por conta da família do rapaz, já que esta não admitiu que ele se relacionasse com uma garota com condições financeiras precárias. Mal sabiam eles…

Em 1894, uma das mais lindas histórias de amor teve início. Marie encontrou Pierre Curie, diretor do Laboratório de Física e Química Industrial, em Paris, que, aos 35 anos, já era um importante físico especializado em cristais e substâncias magnéticas. A conversa sobre física e assuntos sociais deixou-a encantada e eles acabaram se casando um ano depois, tendo duas filhas: Irène e Éve. Pierre contribuiu enormemente na carreira de Marie, dando suporte e participando de suas pesquisas, o que resultou no Nobel de Física de 1903. Em 1906, Pierre faleceu em um trágico acidente.

Haters gonna hate

Embora nunca tenha sido confirmado que Marie Curie teve, de fato, um relacionamento romântico com Paul Langevin, isso não impediu que os jornais da época circulassem massivamente essa informação. A história é a seguinte: quatro anos depois da morte de Pierre, Marie supôs que poderia namorar de novo. No entanto, a cientista subestimou a ira que uma mulher na sua posição poderia causar. Paul Langevin era um físico talentoso e influente, cinco anos mais novo do que Marie, e que fora amigo e aluno de Pierre Curie. O escândalo que estampou os jornais da época era o fato de Paul Langevin, embora não morasse mais com a esposa, ser ainda oficialmente casado. Mesmo a estatística apontando que um quarto das crianças nascidas na França eram frutos de relações extraconjugais, Marie foi vítima de uma enxurrada de insultos xenofóbicos e machistas às vésperas do recebimento de seu Nobel de Química, em 1911. E sabem quem deu um conselho valioso à Marie? O famoso Albert Einstein, que Marie havia conhecido em uma conferência internacional de Física, em Bruxelas. Em uma carta endereçada à colega, ele dizia basicamente para ela ignorar os “haters”.

Uma coleção de primeiros lugares

Curie foi a primeira mulher a receber o Prêmio Nobel. E também foi a primeira pessoa e única mulher a ganhar o prêmio duas vezes. Durante a Primeira Guerra Mundial, fundou os primeiros centros militares no campo da radioatividade. Foi a primeira mulher a ser admitida como professora na Universidade de Paris. Sob a direção dela foram conduzidos os primeiros estudos sobre o tratamento de neoplasmas com o uso de isótopos radioativos. Em 1995, a cientista se tornou a primeira mulher a ser enterrada por méritos próprios no Panteão de Paris.

Ao infinito e além

A causa da morte de Marie foi uma anemia aplástica, em 1934, adquirida pelo seu contato intenso e prolongado com elementos radioativos. A cientista, em sua escalada para o sucesso, deixou uma significativa herança intelectual para a humanidade. Fundar os Institutos Curie em Paris e em Varsóvia, que até hoje são grandes centros de pesquisa médica, e decidir não patentear os processos de purificação do Rádio que desenvolveu, foram apenas algumas das contribuições que Marie Curie realizou por acreditar que o conhecimento pertencia a todos nós.

FONTE Mcgrayne, Sharon Bertsch. Mulheres que ganharam o prêmio Nobel em Ciências. Ed. Marco Zero, 1995 | Nobelprize.org

 

TÁ COM ELES: ENGENHARIA NUCLEAR

 

ENTREVISTA: PROFISSÃO NA TEORIA – 

Luís Felipe Meira é estudante do 7° período do curso de Engenharia Nuclear da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Por que você decidiu estudar Engenharia Nuclear e quais foram suas grandes influências para tomar essa decisão?

Desde criança, eu sempre gostei de “construir e projetar” coisas. Na escola, eu sempre fui bom em matemática e física, porque pra mim essas matérias sempre foram as mais interessantes, principalmente a física. Sempre achei fascinante a ideia de você explicar os fenômenos da natureza através de números e fórmulas. Fui crescendo e descobri que tinha aptidão para desenhar e a partir daí eu comecei a “projetar” algumas coisas. No ensino médio, eu entrei para a escola técnica, onde fiz técnico em mecânica e a partir daí eu decidi que eu queria fazer engenharia e fiquei em dúvida entre qual engenharia fazer, mas sabia que eu queria estar ligado a grandes projetos e construções. No meu ano de vestibular, eu fui e pesquisei sobre engenharias e sobre o mercado e eu achei a engenharia nuclear. Achei a grade super interessante e o curso em si também parecia ser algo bem diferente e interessante, foi aí que eu decidi fazer engenharia nuclear.

Descreva como está sendo a sua experiência.

O curso é bem difícil, assim como qualquer outro curso de engenharia, mas se você estudar e se dedicar você consegue se sair relativamente bem. A universidade é um ambiente totalmente diferente do que estamos acostumados na escola, mas é uma ótima experiência, tanto na sua vida profissional quanto na pessoal. Como o curso de Engenharia Nuclear só existe na UFRJ, eu posso dizer que a universidade tem bons professores e o ensino de lá é bem rígido. No geral, a minha experiência tem sido boa.

 

O que mais você gosta de estudar? E o que menos gosta?

Eu diria que cálculo, física e coisas relacionadas a projetos, como desenho técnico e ciência dos materiais. Apesar de cálculo e física serem matérias extremamente difíceis, elas me despertam interesse. Já as matérias que eu menos gosto de estudar, eu diria que são as relacionadas mais a área de humanas, matérias que têm muito texto. Acho que é típico de um aluno de exatas.

 

Como você se vê daqui a 10 anos?

Bom, daqui a 10 anos eu me vejo com um bom emprego (podendo ser no Brasil ou não), com uma segunda graduação, e me vejo fazendo umas especializações. Acho que essa é uma pergunta um pouco difícil, porque quando estamos na faculdade nós fazemos diversos projetos, então fica difícil me imaginar daqui a 10 anos.

 

ENTREVISTA: PROFISSÃO NA PRÁTICA

 

Gladson Silva dos Santos é professor titular e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Nuclear do Instituto Militar de Engenharia.

Descreva o seu trabalho atual.
Ocupo a função de Professor Titular e Coordenador de Pós-Graduação do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Nuclear do Instituto Militar de Engenharia. Tenho experiência na área de análise de segurança de reatores nucleares e em extensão da vida útil de reatores nucleares. Na função de professor, ministro as disciplinas de higiene das radiações, métodos avançados de matemática aplicada, segurança nuclear, energia nuclear e introdução a engenharia nuclear.


Em quais áreas você já trabalhou?
Já trabalhei como engenheiro eletricista na Amazônia na construção de Pequenas Centrais Hidroelétricas (PCHs); construção/manutenção de linhas de transmissão; manutenção e construção de instalações elétricas de baixa tensão e subestações e na linha de produção de Armamento pesado do morteiro 120 mm do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro.

Quais problemas o seu trabalho ajuda a resolver?
Meu trabalho ajuda na formação de mão de obra qualificada para as diversas áreas de engenharia nuclear do país e na pesquisa neste campo de atuação.

 

Como o seu trabalho faz do mundo um lugar melhor?

Meu trabalho contribui para a geração de energia elétrica nucleofílica, à medida que capacita profissionais para estas usinas, contribui para a formação de mão de obra qualificada na área de medicina nuclear. Além de desenvolver pesquisa nas áreas de reatores nucleares e controle ambiental.

O que te fez escolher como carreira a engenharia nuclear e quais foram as suas grandes influências para tomar essa decisão?
Minha escolha foi baseada no fascínio e admiração sobre os processos de geração de energia através da fissão e da fusão nuclear. Minha grande influência para seguir nesta área foi a experiência profissional na geração de energia elétrica desenvolvida na Amazônia e, consequentemente, dar prosseguimento no estudo desta área no campo da geração nucleofílica.


Durante a sua formação e / ou carreira você teve alguma decepção com a profissão?
Minha decepção ocorreu na falta de informação da população sobre o uso da energia nuclear e no longo tempo sem construção de usinas desta natureza.

O que você mais gostou de estudar?

Gostei muito de estudar a física atômica e nuclear.

Qual conselho você daria  para quem pretende iniciar os estudos na área?
Acredito que os sítios de geração hidroelétrica do país estejam no fim e que a geração nucleofílica se apresenta como excelente opção como geração de energia elétrica de base para o país. Desta forma, teremos muitos campos de trabalho e desenvolvimento de pesquisa nesta área.

 

TÁ NO AR: RESENHAS DE FILMES

Gen, pés descalços

Keiji Nakazawa foi uma das muitas vítimas do ataque da bomba atômica no Japão. Aos seis anos, Keiji viu toda a sua família – com exceção de sua mãe – ser morta diante de seus olhos. Através de sua experiência trágica, Keiji criou o mangá “Gen, pés descalços”, onde conta um pouco como a Segunda Guerra Mundial e o ataque das bombas atômicas mudou a vida de muitas pessoas no Japão.

Lançado em 1973, o mangá é considerado um clássico e responsável por apresentar a seus leitores o horror da bomba atômica. “Gen, pés descalços” é uma leitura obrigatória para aqueles que procuram uma visão mais pessoal sobre a Guerra e suas atrocidades.  Para quem se interessar um pouco mais, a obra conta com uma adaptação para animação lançada em 1983, assim como uma série de TV, em 2007, para a TV japonesa.

The Babhuskas of Chernobyl

 

The Babhuskas of Chernobyl (As Vovós ou Senhoras de Chernobyl, em tradução livre) é um documentário americano, lançado em  2016, e ganhador de oito prêmios em festivais. Responsável por explorar fatores esquecidos do grande acidente nuclear, o documentário confere uma nova perspectiva sobre as consequências da explosão do reator da usina nuclear de Chernobyl para a população.

O documentário é enriquecido por muitas histórias e lições, que são transmitidas pelas Babhuskas, um grupo de senhoras que vivem na zona de exclusão do desastre nuclear, uma área onde os níveis de radiação são muito altos.  Retratando de forma real o quanto é difícil deixar um lugar que nos é tão familiar e traz tantas lembranças, apesar das consequências que essa decisão pode nos trazer, The Babhuskas of Chernobyl é uma escolha certeira para aqueles que gostam de uma história de aquecer o coração.

 

 

TÁ SABENDO: AS GAROTAS DO RÁDIO

VÍDEO: https://vimeo.com/12731620

A história das Garotas do Rádio pode parecer um daqueles contos de ficção científica ou até mesmo de terror, cujo enredo começa com a descoberta do elemento Rádio pela cientista polonesa Marie Curie. Mas quem poderia imaginar que um marco tão grande para a Ciência seria responsável por deixar um rastro de mortes e túmulos que brilham à noite?

Após a sua descoberta, o Rádio, cuja característica mais marcante é a sua propriedade fosforescente, se tornou em pouco tempo um elemento muito popular. Vendo ali uma oportunidade, a indústria militar começou a investir na produção de aparelhos de navegação noturna, como relógios e velocímetros, que ajudassem os soldados a enxergar à noite. A empresa encarregada pela fabricação do material era a United States Radium Corporation, cuja linha de produção contava com um grupo de mulheres para pintar os ponteiros do relógio com o material radioativo. A fim de garantir uma pintura mais precisa, elas recebiam a letal orientação de lamber os pincéis com o elemento.

Como naquela época havia pouquíssimos estudos sobre materiais radioativos, apenas os donos das empresas e cientistas sabiam o mal que o elemento poderia causar. Por isso, as ingênuas trabalhadoras, além de utilizar o Rádio no trabalho, ainda polvilhavam o material em seus vestidos e cabelos e esfregavam-no até mesmo nos dentes em busca de um visual mais glamouroso na hora de saírem.

Os problemas de saúde não tardaram a chegar: úlceras na boca, dentes caindo e maxilares quebrando. Ao questionarem seus superiores, os mesmos falavam que esses problemas não tinham nenhuma relação com o elemento e até mesmo acusavam essas mulheres de possuírem sífilis. Afinal, é sempre mais fácil culpar a vítima, não é?

Através de um estudo da universidade de Harvard, foi descoberto que havia altos níveis de radiação nos corpos das trabalhadoras que foram submetidas à pintura dos relógios. Cinco mulheres que trabalhavam na fábrica, conhecidas como Garotas do Rádio, entraram com um processo contra a fábrica e, mais tarde, diversas trabalhadoras, que também adoeceram, participaram.

Durante todo o processo, as consequências se agravavam mais e o tempo não parava. Uma das vítimas se tornou incapaz de andar, outra teve seu quadril quebrado, sem mencionar a moça que, devido a grande radiação, brilhava no escuro. A empresa foi condenada a pagar cem mil dólares, além de uma pensão mensal e vitalícia a cada uma das garotas radioativas.

Esta história não chegou nem perto de um final feliz, já que muitas delas não receberam uma só mensalidade. No entanto, a luta das Garotas do Rádio não foi em vão, pois ajudou a despertar o movimento sindical pela defesa dos direitos civis do trabalhador e a modificar os procedimentos de manipulação de elementos radioativos.

Mesmo a sete palmos, essas estrelas terrenas continuam a brilhar.

FONTE CLARK, Claudia. Radium Girls, Women and Industrial Health Reform: 1910-1935. Univ of North Carolina Press, 1997 |
MOORE, Kate. The Radium Girls, Simon & Schuster Uk, 2016.

 

TÁ SABENDO – CURIOSIDADES

Onde é guardado o lixo nuclear?

O lixo nuclear é todo o resíduo formado a partir de compostos químicos que perderam a sua utilidade. Esse material,  normalmente proveniente de hospitais e usinas nucleares, é classificado de acordo com seu nível de radioatividade, que determina a forma como ocorrerá seu descarte a fim de não causar risco à saúde da população e contaminação da natureza.

Os lixos de baixa radioatividade, como materiais utilizados por funcionários e materiais médicos, devem ser guardados em depósitos temporários. Já os de média radioatividade, devem ser colocados em tonéis blindados de concreto. No caso dos lixos de alta radioatividade, como combustíveis usados em usinas nucleares, estes são colocados em piscinas de resfriamento próximas aos reatores da usina, que, após certo tempo, são cercadas por barreiras de aço, chumbo e concreto.

FONTE:  http://www.world-nuclear.org/nuclear-basics/what-are-nuclear-wastes.aspx.

Por que Hiroshima e Nagasaki são habitáveis e Chernobyl não?

Há 70 anos, as cidades de Hiroshima e Nagasaki foram bombardeadas por duas bombas atômicas, sendo um dos maiores marcos da Segunda Guerra Mundial. Quarenta e um anos depois, outra tragédia radioativa aconteceu, agora na cidade de Chernobyl. Hoje, tanto Hiroshima quanto Nagasaki contam com mais de 1,5 milhões de habitantes, enquanto Chernobyl permanece fechada desde seu evacuamento. Mas se ambas sofreram com a radiação, por que duas são habitáveis e outra não?

A resposta da questão é a quantidade. A bomba de Hiroshima carregava cerca de 63 kg de Urânio, enquanto a de Nagasaki, 6,2 kg. Já a explosão do reator de Chernobyl, calcula-se que liberou sete toneladas de combustível nuclear, emitindo 100 vezes mais radiação do que as bombas de Hiroshima e Nagasaki.

FONTE:http://www.todayifoundout.com/index.php/2013/10/can-people-live-hiroshima-nagasaki-now-chernobyl/

Como funciona uma usina nuclear?

As usinas nucleares são largamente utilizadas em todo o mundo para auxiliar na produção de energia. Mas como essa usina funciona e quais são os seus riscos? O Urânio é a principal substância que a usina utiliza para a produção de energia, passando por um processo de enriquecimento até se obter o chamado Urânio 135, que é inserido no reator nuclear sob diversas medidas de segurança, pois o mesmo é radioativo e muito danoso a saúde humana.

Um nêutron é lançado dentro do urânio para criar  uma reação de fissão em cadeia, fazendo  com que o urânio se quebre e se separe. Essa reação em cadeia gera calor, que aquece um tanque de água posicionado acima do urânio. A água aquecida se transforma em vapor e percorre tubos de alta pressão, movimentando turbinas, que estão ligadas a um gerador que gira e produz energia. No fim do processo, a água radioativa é descartada ou reutilizada e mais energia é produzida

Como as pessoas utilizavam o rádio antigamente?

Você está sentado na sua sala vendo os comerciais na TV no intervalo da novela. Entre muitos anúncios, o sorriso simpático de uma das apresentadoras capta a sua atenção. A mulher de aparência jovial está segurando um creme que promete rejuvenescer a pele em até 30 anos: um milagre em potinho. A sua mãe, que está ao seu lado, olha o comercial com mais atenção à tela do que você, perguntando se aquele creme com veneno de cobra realmente funciona. Afinal, parece meio absurdo usar algo que parece tão tóxico no rosto, não é? Sua atenção volta à TV quando o comercial termina e você finalmente quer saber o que aconteceu com aquele personagem.

Dê uma volta ao ano de 1910 agora. O rádio havia sido descoberto, novas criações da indústria em torno desse elemento estavam surgindo: cosméticos, alimentos e até mesmo tratamentos médicos.  Hoje, com muitos estudos referentes a elementos radioativos, sabemos o mal que podem fazer ao nosso organismo. Mas, no século XX, isso não era uma realidade e os “milagres em potinho” eram utilizados largamente.

Chocolate

Não adianta negar que o chocolate é o melhor remédio para aquele dia estressante, não é? Tirando o risco de ganhar alguns quilinhos a mais, ele não apresenta qualquer contra-indicação. No entanto, na primeira metade do século XX, era comercializada uma barra de chocolate chamada “Radium Schokolade” da empresa Burk & Braun, feita com água radioativa. Letalmente saboroso, não? Essa barra de chocolate  foi muito popular no exterior até ser proibida em 1936.

Grandes Spas de Saúde

O Rádio e spas de saúde eram a combinação perfeita nos anos 20 e 30. Homens e mulheres passavam uma tarde relaxante com lama de rádio em seus corpo, lavando-se em seguida com água também contendo rádio. O resultado: um visual brilhante! Spas que utilizam rádio são encontrados em operação nos Estados Unidos e também no Japão. A única questão que fica é: ainda existem clientes que recorrem a esse tratamento?

Radioscópio

O radioscópio foi anunciado como capaz de destruir mundos bem em frente aos seus olhos. No interior do telescópio, era possível verificar a destruição dos átomos de Rádio gerando um brilho fantástico de luz.

Tratamento para Impotência

Antes da famosa pílula azul, os tratamentos para impotência utilizavam artifícios radioativos. O tratamento chamado RadioEndocrinator era para ser realizado à noite, onde o indivíduo colocava pequenos cartões revestidos de rádio dentro das suas roupas de baixo. O inventor do “Radioendocrinator” e utilizador desse tratamento morreu de câncer da bexiga em 1949.

Cosméticos

A marca Tho-Radia era popular por vender cosméticos para mulheres de todas as idades. Os produtos incluíam pó facial e cremes que prometiam rejuvenescimento e uma pele mais brilhante.

FONTE: JACKSON, John. The Elements Book: A Visual Encyclopedia of the Periodic Table. DK, 2017

 

TÁ ROLANDO: Cientistas desenvolvem cápsulas capazes de absorver substâncias radioativas de líquidos (Atualidade)

 

O desastre ocorrido na usina nuclear de Fukushima deixou o mundo em estado de alerta.  Manchetes sobre a contaminação estampavam as capas de grandes jornais, gerando medo e transtorno por todo o lugar.Em zonas afetadas, bombeiros e médicos lutaram para realizar o resgate e ajudar a salvar vidas. Mas não se engane ao achar que foram os únicos heróis em meio a esse grande desastre. Dentro de seus laboratórios, cientistas estudavam formas de amenizar todas as consequências e tornar a vida desses sobreviventes melhor.

Entre erros e acertos, a equipe liderada por Allen Apblett encheu os corredores de murmúrios durante a conferência da Sociedade Americana de Química, no ano passado, ao apresentar uma pesquisa voltada para o desenvolvimento de uma cápsula capaz de absorver e reduzir a concentração de substâncias radioativas em diversos líquidos como leite, água e até mesmo sucos de frutas.  

Não é necessário ter um PhD em Química para utilizar a cápsula: esta é colocada dentro do líquido e agitada. Os componentes radioativos são absorvidos pela cápsula, tornando a solução totalmente potável. A invenção pode ser utilizada por grandes empresas alimentícias e pessoas que vivem em zonas afetadas pela radiação, tornando as bebidas seguras para o consumo humano, em casos de desastres nucleares.

Os cientistas responsáveis pelo projeto ainda estudam meios de tornar a cápsula reutilizável ou uma maneira de esvaziá-la diversas vezes. Enquanto não encontram uma solução, devemos torcer para o rápido desenvolvimento dessa nova criação capaz de transformar a vida de muitas pessoas.

FONTE:   ACS (American Chemical Society)

https://www.acs.org/content/acs/en/pressroom/newsreleases/2012/march/a-capsule-for-removing-radioactive-contamination-from-milk-fruit-juices-other-beverages.html

TÁ NA AULA: RADIOATIVIDADE

O tema radioatividade é um dos que mais desperta o interesse dos nossos alunos nas aulas de Ciências/Química/Física, especialmente por causa dos mitos e lendas a ele associados pela mídia. Neles, graças à radioatividade, pessoas comuns ganham poderes especiais, ou então já nascem com eles a partir de mutações genéticas desencadeadas pela energia liberada nos processos que envolvem o núcleo atômico. Entretanto, na formação dos professores esse tema é pouco debatido, tanto em termos dos conceitos fundamentais relacionados a esses processos, bem como em relação às abordagens didáticas para se trabalharem os mesmos.

Para auxiliar o trabalho do professor na elaboração de propostas didáticas inovadoras sobre o tema, deixaremos aqui algumas sugestões de leitura:

  • CONTEXTUALIZANDO A ABORDAGEM DE RADIAÇÕES NO ENSINO DE QUÍMICA (Miguel de Araújo Medeiros, Anderson César Lobato) (http://www.redalyc.org/html/1295/129516978006/) – Os autores debatem sobre as concepções prévias dos alunos sobre a radioatividade e propõem um novo material didático para abordar o tema;
  • O PAPEL DO JOGO NO ENSINO DE RADIOATIVIDADE: OS SOFTWARES URÂNIO-235 E CIDADE DO ÁTOMO (Marcelo Leandro Eichler, Fernando Junges, José Claudio Del Pino) (http://www.seer.ufrgs.br/renote/article/download/13800/7997) – O artigo traz a proposta do uso de jogos didáticos como promotores do ensino do tema radioatividade;
  • ENSINO DE QUÍMICA E HISTÓRIA DA CIÊNCIA: O MODELO ATÔMICO DE RUTHERFORD (Deividi Marcio Marques, João José Caluzi) (http://fep.if.usp.br/~profis/arquivos/ivenpec/Arquivos/Painel/PNL134.pdf) – Neste artigo, os autores propõem uma abordagem histórica para o ensino da elaboração do modelo de Rutherford, que só foi possível graças aos avanços na pesquisa da radioatividade.
  • RADIOATIVIDADE NO ENSINO DE QUÍMICA UTILIZANDO A ABORDAGEM CTSA (Patrícia Martins da Silva) (https://drive.google.com/file/d/0B7Jpuq4cD_0WNXFQU0FxbU1iRm8/view?usp=sharing) – Nesta monografia do curso de Especialização em Ensino de Química (CEEQuim) do IQ/UFRJ, a autora relata uma experiência concreta do ensino de radioatividade a partir dos pressupostos do enfoque CTSA (Ciência-Tecnologia-Sociedade-Ambiente).

Esperamos que essas sugestões de leitura o estimule a criar novas abordagens para ensinar o tema Radioatividade com os seus alunos! Boa aula!

 

 

QUIZ 1 : VOCÊ SOBREVIVERIA A UM ATAQUE NUCLEAR? (haverá um link na revista que encaminhará o leitor para o quiz online)

 

É domingo. Você está sentado confortavelmente no seu sofá passando por todos os canais da TV, enquanto espera a chegada da pizza. A programação é interrompida para uma notícia de última hora em que a jornalista balbucia palavras difíceis em uma velocidade assustadora.

As palavras finalmente fazem sentido quando seus olhos percebem o desespero no olhar da jovem da TV. Os Estados Unidos e a Coréia do Norte ameaçam um ao outro com ataques nucleares, colocando em risco não apenas suas populações, mas pessoas do mundo inteiro.

  1. Nesse cenário de caos, o que fazer?  Desligue a TV, coloque o primeiro sapato que está a sua frente e corra ao mercado mais próximo de sua casa. Qual tipo de alimento você escolheria para utilizar em seu estoque?

A) Alimentos não perecíveis
B) Arroz  
C) Macarrão
D) Frutas e Vegetais

 

  1. Colocando as compras no carro, o seu primeiro pensamento é sua família. Seus pais moram a uma distância de 4km da sua casa, enquanto seus irmãos moram a 10 km. É necessário pensar em um jeito de se comunicar com eles antes que o ataque comece.  Qual meio de comunicação você usaria durante o ataque?

A) Telefone Celular
B) Telefone Fixo
C) Tablet
D) Rádio

 

  1. Durante o caminho para casa, você passa por um pequeno shopping. Neste mesmo local, são vendidos remédios e itens variados para casa. Você deve parar para comprar alguns deles, qual conjunto você escolhe?


A) Remédios, objetos para higiene pessoal e baterias
B) Remédios, um martelo e saco de lixo
C) Lanterna e Pilhas
D) Caixa de Ferramentas, remédios e luvas

 

  1. Ao chegar em casa, seu companheiro(a) vem ao seu encontro desesperado(a) devido a ameaça da bomba nuclear. Sugere que vocês fujam para bem longe para escapar dos estragos que estão por vir.  Qual lugar você considera mais seguro?


A) Uma base militar ativa, próxima a sua casa.
B) A casa dos seus pais no centro da cidade.
C) O porão da sua casa
D) Um grande edifício com uma grossa parede de tijolos, longe da zona central da cidade.

 

  1. O seu abrigo foi escolhido. Você está seguro agora com o seu amado e mantém uma grande despensa, que pode mantê-lo neste local por até 1 mês. O seu aparelho de comunicação acaba de anunciar que os ataques nucleares acabaram e vocês se olham apreensivos sobre o que os espera do lado de fora. Após quanto tempo você considera seguro sair do seu abrigo?


A) Algumas horas depois do anúncio
B) De 8 a 9 dias
C) 2 dias
D) 20 dias

Todo o caos inicial do ataque nuclear finalmente passou. Será que você saiu ileso do seu abrigo ou está morto por conta de  suas decisões?

 

PONTOS:

 

Questões A B C D
1 4 3 3 2
2 3 3 2 4
3 4 3 2 4
4 2 2 3 4
5 2 4 2 4

 

De 16 a 20 pontos

 

Parabéns! Você poderia ser chamado para o programa do Bear Grylls para dar dicas de como sobreviver a um ataque nuclear!  Suas táticas para sobrevivência irão te garantir uma vida mais longa em meio a todo esse caos.

 

De 9 a 15 pontos

 

Caro leitor, a sua sobrevivência poderia durar alguns dias ou até fazer você sobreviver a esse grande ataque nuclear. Para esse evento, é necessário que tome muito cuidado com cada ação, cada alimento que você ingere e principalmente quando sair do seu abrigo. Tome muito cuidado! A sua decisão pode custar a sua vida.

 

De 2 a 10 pontos

 

Xii…. Com as suas respostas seria complicado você chegar a um abrigo com vida. Que tal tirar um tempinho a mais para ler a nossa revista para ter uma idéia de como sobreviver?  Aposto que assim você vai se tornar um mestre dos ataques nucleares!

 

COMO SOBREVIVER A UM ATAQUE NUCLEAR?

 

Alimentos

Na hora de escolher o que comer em um ataque nuclear, aposte em alimentos não perecíveis, cuja principal característica é a duração prolongada frente aos outros alimentos.

Aqueles que adoram dietas com pouco carboidratos não sobreviveriam muito, pois estes são excelentes para se obter mais calorias por refeição, fazendo com que você tenha muita energia durante o dia.

Meios de Comunicação

Esqueça totalmente o whatsapp. Quando o mundo entrar em colapso com o ataque nuclear as redes móveis e internet cairão bem rápido. A ideia é optar inicialmente por telefones fixos e celulares que ainda terão seu funcionamento um pouco mais prolongado. Não esqueça de comprar um carregador solar, ou você acredita que a rede elétrica continuará funcionando? No pior dos casos, invista em um rádio solar que pode te ajudar e muito na sua sobrevivência.

Itens essenciais

É necessário que você monte um kit de itens essenciais para a sua sobrevivência. Para o caso de ficar doente ou machucado, um kit de primeiros socorros e remédios é uma excelente saída. Além disso é necessário pensar além: separe baterias e uma caixa de ferramenta para enfrentar problemas mais técnicos. Por favor, não se esqueça da higiene pessoal ( não apenas num ataque nuclear, ok?) e tenha em seu kit produtos que possam te auxiliar a fazer sua higiene diária, como lenços umedecidos.  

 

Abrigo

O abrigo é a parte essencial para a sobrevivência em um ataque nuclear. Você deve sempre procurar por um lugar que esteja debaixo do solo, como o porão da sua casa ou até mesmo estacionamentos em shopping. O local com uma estrutura grossa também é um excelente exemplo de abrigo, principalmente se o mesmo for revestido de chumbo, que não permite que a radiação ultrapasse. Mas se você não puder sair de casa, não esqueça de fechar janelas e portas tal como desativar qualquer tipo de sistema de ventilação.

 

A hora de sair

Para quem é ansioso, essa parte é uma das piores: a espera. Após o ataque nuclear, um dos pontos mais críticos são os produtos criados a partir da explosão. O iodo radioativo é um dos mais mortais, tendo uma meia-vida de aproximadamente oito dias. Mas não se engane,  há produtos ainda mais perigosos, como é o caso do césio e do estrôncio, cuja meia-vida dura em média 30 anos.

Além do perigo químico, é necessário analisar a reação do seu governo e de outros frente ao ataque nuclear. Você deve acompanhar as notícias para descobrir se haverá uma nova ameaça ou até mesmo verificar se tudo voltou ao normal na região em que está.

FONTE: Federal Emergency Management Agency, U.S Departament of Defense. How to Survive a Nuclear Attack – Gain The Knowledge & Be Prepare. Madison & Adams Press, 2017 | http://www.wikihow.com/Survive-a-Nuclear-Attack